A reclamação é sempre a mesma. Não quer compromisso, não aguenta pressão, sai por qualquer motivo, questiona tudo, quer promoção em seis meses.
A reclamação é antiga. Cada geração recebeu exatamente a mesma acusação da anterior. O que mudou não foi o caráter das pessoas. Foi o contexto em que elas entram no mercado.
O que essa geração faz de diferente
Ela pergunta por quê. Não como desafio à autoridade, mas porque cresceu num ambiente em que informação está disponível e ordem sem explicação soa arbitrária.
Ela troca de emprego mais rápido. Porque viu a geração anterior dedicar vinte anos a uma empresa e ser desligada num corte de custo.
Ela fala sobre saúde mental. O que gerações anteriores também sentiam e não nomeavam.
E ela aprende tecnologia numa velocidade que nenhuma geração anterior alcançou. Isso não é detalhe. Numa empresa que precisa incorporar inteligência artificial, automação e análise de dados, essa é a única geração que faz isso naturalmente.
Onde a empresa erra
Erra ao tratar questionamento como insubordinação. Quem pergunta por que está tentando entender para executar melhor. Líder que responde “porque eu mandei” perde a pessoa naquele instante, ainda que ela continue na empresa por mais um ano.
Erra ao não mostrar o caminho. Essa geração cobra clareza sobre futuro, e a maioria das empresas não tem plano de carreira, não tem critério de promoção e não sabe explicar o que a pessoa precisa fazer para crescer. A ausência de resposta é lida como ausência de futuro.
Erra ao confundir feedback com bronca. Gente que cresceu recebendo retorno constante estranha o silêncio de meses seguido de uma avaliação anual.
E erra ao terceirizar a integração. Contrata, apresenta a mesa e espera que a pessoa se vire. Depois conclui que ela não tinha comprometimento.
O que funciona
Funciona ter critério escrito. Plano de carreira, plano de cargos e salários e avaliação de desempenho tiram a conversa sobre futuro do terreno da promessa. Quando os critérios estão explícitos, expectativa e reconhecimento passam a falar a mesma língua na empresa inteira.
Funciona ter líder preparado. A maior parte dos problemas atribuídos à geração é, na verdade, problema de liderança despreparada para conduzir gente que pergunta.
Funciona dar contexto antes de dar tarefa. Custa dois minutos e muda a qualidade da execução.
E funciona usar o que essa geração tem de melhor. Colocá-la para liderar frentes de tecnologia, inovação e melhoria dá resultado e resolve o problema de engajamento de quebra.
Não existe geração ruim. Existe empresa preparada para receber a geração que chegou e empresa que não está.
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